quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Referências bibliograficas

LEAL, Herundino da Costa. História de Santo Amaro. Imprensa Oficial da Bahia, 1964.

MATTA, Alfredo. Licenciatura em História da Bahia. Salvador: Eduneb,2013.

SANTOS, Juvenal Alves. Caminho sem fim: Memórias e alumbramentos. Salvador: Eduneb,2005.

Endereços eletrônicos:

http://ataideproducoes.blogspot.com.br/2006/09/apresentao.html<acesso em 16/08/2016>

http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=290110&search=|amelia-rodrigues<acesso em 16/08/2016>

http//www.casadatorre.org.br/constrsertao.htm<acesso em 16/08/2016>

https://historiadabahia2.wordpress.com/sobre/morgados-do-interior-a-casa-da-torre-de-garcia-davila/<acesso em 16/08/2016>

 http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/288<acesso em 19/08/2016>

 https://pt.wikipedia.org/wiki/Carreira_da_%C3%8Dndia<acesso em 04/09/2016>

http://observatoriogeograficoamericalatina.org.mx/egal13/Geografiasocioeconomica/Geografiaeconomica/45.pdf<acesso em 19/08/2016>

http://blogdogutemberg.blogspot.com.br/2006/06/amlia-rodrigues.html<acesso em 31/08/2016>

Curiosidades


o que significa?


Anita é um nome feminino, que se originou a partir do hebraico Hannah, que significa “graciosa” ou “cheia de graça”.

Com o passar do tempo, Hannah foi adaptado para o latim Ana. Anita, por sua vez, é tido como um diminutivo de Ana, assim como Aninha.
Esse diminutivo de Ana é bem comum em Portugal e na Espanha.
Aliás, este foi um dos nomes mais populares e difundidos em todo o ocidente.
Na bíblia cristã, Ana (ou Hannah) foi um nome também bastante presente, seja no Antigo ou Novo Testamento.
Na Idade Média e no Império Bizantino, este nome voltou a ganhar força graças a figura de Santa Ana que, mesmo sem confirmações, passou a ser considerada a avó de Jesus Cristo e objeto de muita adoração pelos católicos.
Este é um nome bastante procurado pelo pais na hora de batizar as suas filhas, devido a sua simplicidade e conotação positiva. Outra vantagem é a facilidade de pronuncia que o nome Anita tem em vários idiomas diferentes.

Inhatá em tupi-guarani significa literalmente: ¨ correnteza
(água) forte¨ ( i + nhá + atá )

Inhatá (o Distrito) se localiza no vale de Inhatá, entre Terra Nova e Amélia Rodrigues. Nesta localidade foi implantado o Engenho de Inhatá pelos Beneditino(Sec. XVIII. Nesta região havia inúmeros olhos dagua, nascente, que em períodos de chuva se encontravam e tornavam-se caudalosos, desembocando no Rio Pojuca


Fonte:
 http://www.dicionarioinformal.com.br/inhat%C3%A1/<acesso em 09/11/2016>

Anita Barbosa, a Graciosa de Inhatá

Imagem retirada do livro Caminho sem fim: memórias e alumbramentos1

Em uma agradável tarde de sábado tive o prazer de conversar com alguns familiares e principalmente com a protagonista desta história. Ela carinhosamente recebeu o nome de Anita, a minha graciosa avó materna. Anita Barbosa nasceu em 19 de abril de 1935, filha de Lúcio Aleixo dos Santos que exercia a profissão de carreiro de boi (no carro de boi o meu bisavô fazia o transporte de pessoas, cana de açúcar e várias outras coisas daquela época) e Maria do Carmo Barbosa agricultora e do lar. Nasceu num povoado chamado surucucu nas proximidades do engenho São Bento, este encerrou as suas atividades no ano de 1954.

Caro leitor, seja bem vindo ao passeio pelas terras do Inhatá!

1.     Vó o que a senhora lembra do engenho São Bento?

"Ah, era uma indústria muito grande, tinha máquinas e muita gente trabalhando lá. A igreja era lá em baixo na usina, tinha chalé, tinha muitas coisas.
Você sabe que eu conheci São bento quando só tinha casa de telha na praça? Tudo era de palha e taipa (neste momento mostrei a foto que coloquei aqui neste tópico)."

2.     E as festas como eram?

"Eram festas muito boas, tinha micareta, bumba boi, mula manca e os instrumentos eram de sopro.
(Houve um momento de muita descontração, pois, ao falar das festas meu avô Crispiniano Mota, 91 anos falava das peripécias e namoros juvenis da época)."

3.     Qual era a religião que a senhora praticava quando era criança/jovem?

"Tinha bastante candomblé, mas, eu não frequentava não. Depois apareceram os protestantes e o povo não gostava muito deles não. Eu participava das rezas, tinha todos os dias nas casas, era novena, trezena. Eu nasci nesse tempo."

4.  Vó eu li num livro2que os negros cantavam em uma língua africana enquanto trabalhavam. A senhora já ouviu falar ou lembra desse fato?

"Sim lembro, em uma distancia muito grande a gente escutava, era língua de escravo (Iorubá). Era uma cantoria só, era cavando cova e cantando. Um dia desses eu estava colocando o feijão no fogo e lembrei disso."

5.     E sobre salvador o que ouvia falar?

"Nem tinha nome de Salvador, era Bahia. Mas, Bahia é por aqui tudo, salvador é a capital. Quando eu era menina aqui não era Bahia, Bahia era lá na cidade."

6.     O que a senhora sabe sobre Santo amaro?
"O único lugar que era cidade aqui era santo Amaro, tudo aqui era dominado por lá "(mostrei foto do primeiro prefeito de Amélia Rodrigues após sua emancipação em 1961- Gervásio Bacelar).
"Lembro da época da cólera e da gripe, ninguém ficava vivo, os velhos morreram todos. Foi Deus quem mandou um jeito de ter médico, vacinas e remédios, hoje que o tempo tá bom."

7.     Sobre as boiadas que passavam na BR 324(antiga estrada das boiadas), já ouviu falar?

"Passava gado do mundo todo, na estrada tinha tanta boiada que ninguém saia de casa, era na Br e na estrada onde a gente morava, era a mesma coisa de carro hoje, assim era de boi."

Neste momento meu avô materno, Crispiniano Mota 91 anos de pura lucidez, complementa a resposta da minha avó dizendo:
“Passava gado do mundo todo, De primeiro antes de ir para o matadouro em Mata de são João passava a pé 5 boiadas por dia, agora passa no carro. Isso tudo era antes de Amélia chamar Amélia Rodrigues, chamava lapa.”

Encerrei a entrevista falando da importância deste trabalho que foi orientado pelo professor Alfredo da Matta em atendimento ao componente curricular Referenciais Teorico-Metodológicos da História no Ensino Fundamental.

“Às vezes passamos a vida toda sem conhecer a nossa história, sem valorizá-la. Alimentamos-nos das histórias dos outros. Pensamos que não temos importância. Todo mundo tem história, lindas histórias”.



Anita Barbosa 81 anos e Crispiniano Mota 91 anos tiveram alguns filhos, restaram-lhe 11, 24 netos, 6 bisnetos (chegarão mais). Vivem desde o nascimento na região de São Bento do Inhatá. Agradeço a Deus pela vida deles e aproveito para agradecer pela família que construiram. Obrigada por terem me ajudado a conhecer um pouco da nossa história.


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1 O saudoso professor juvenal Alves dos Santos, meu conterrâneo e professor da Uneb lançou em 2011 o referido livro.
2 Caminho sem fim: Memórias e alumbramentos, do saudoso professor Juvenal Alves dos Santos

O surgimento dos engenhos ,principal fator de progresso da região


http://www.rotamogiana.com/2013/03/o-engenho-nosso-de-cada-dia.html
Tendo como base econômica o cultivo e a industrialização do açúcar, o município de Amélia Rodrigues, desde os primórdios de sua história, foi sede de um extenso número de engenhos de açúcar. O Engenho São Bento do Inhatá foi apenas o primeiro de uma série, onde se destacaram o Engenho Novo, o Engenho da Mata (depois Usina Aliança), o Engenho Nossa Senhora de Brotas, que no século XVIII pertenceu a Dona Isabel Joaquina de Aragão, e posteriormente teve sua propriedade transferida para Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, depois Barão de Viçosa. 


Os engenhos Bângala (de Pedro Argolo Ferrão, no século XIX), Tebaida (construído no século XIX por Domingos Borges de Barros, o Visconde de Pedra Branca, que o vendeu anos depois a José Dias Aleixo) e Triunfo (que no século XIX pertencia a João de Araújo Góes) vieram a seguir. Mas a extensa relação não termina aí. Também no século XIX surgiu o Engenho Ipiranga, de propriedade do major Alcibíades Leão Veloso. Seguindo a trilha do desenvolvimento, foram construídos os alambiques e, finalmente, as usinas, que ainda hoje se constituem o principal fator de progresso do município e da Região do Recôncavo.

Quem foram os Guedes de Brito?

http://josepedroaraujo.blogspot.com.br/2015_03_01_archive.html
O tabelião Antônio Guedes de Brito, fundador da Casa da Ponte, era família de origem portuguesa (Conde da Ponte), recebeu o título de Mestre-de-Campo e Regente do São Francisco. Senhor de grande fortuna, somada a uma imensa sesmaria de 160 léguas, que compreendia terras desde o rio Itapicurú, entre este e o Jacuípe, seguindo em direção oeste ao encontro do rio São Francisco, descendo toda sua margem direita até a nascente do Rio das Velhas, em Minas Gerais. Na segunda metade do século XVII, Guedes de Brito tinha em Jacobina grandes currais, tornando-se o segundo maior latifundiário da Bahia, superado apenas por Garcia d' Ávila (Conde da Torre).

Segundo Matta 2013, as rotas da Casa da Ponte começavam geralmente em Cachoeira, às margens do paraguaçu, e seguiam para Morro do chapéu, de lá para Irecê, Jacobina, na busca pelo rio São Francisco. Baseado nessa afirmação  podemos inferir que a região estudada abrigou os currais da Casa da Ponte, o Morgado dos Guedes de Brito.


A mulher Amélia Rodrigues



http://www.mundoespirita.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Am%C3%A9lia-Rodrigues-1.jpg
Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues nasceu na cidade de Santo Amaro em 26 de maio de 1861, desde cedo se revelou uma mulher talentosa e dedicou-se a filantropia, contam-nos a história que Amélia ajudou a construir o grandioso edifício do Liceu Salesiano do Salvador, pois, todo o recurso obtido com a venda dos seus versos, dos seus dramas e dos artigos que era revertido em beneficio deste empreendimento.

Era abolicionista e aos vinte e cinco nos de idade escreveu uma série de artigos sobre a causa, pois, muito lhe empolgava e achava justo lutar em prol desta causa. Amélia Rodrigues, como era mais conhecida nos meios intelectuais, era uma grande educadora e como tal era conhecida em todo o Estado, chegando a sua fama a transportar as fronteiras.
Ensinava com grandes conhecimentos todas as matérias dos cursos primário e elementar porque era profunda conhecedora de todas elas.
Publicou diversas obras de valor, onde demonstrava o seu talento, era simpatizante das obras de castro Alves e Olavo Bilac.

A trajetória intelectual de Amélia Rodrigues abrange mais ou menos 50 anos de mudanças marcantes dentro do contexto brasileiro e da Bahia. Ela viveu a monarquia, viu a abolição dos escravos, a primeira república, a primeira guerra mundial, a revolução russa, a separação da religião do poder político. Vivenciou a crescente laicização da sociedade, o crescimento dos movimentos socialistas, a luta da Igreja para permanecer no poder, a transformação da imprensa em empresa, a ampliação do conhecimento através da ciência.

Dentro dessas mudanças, que imprimiam uma modificação contínua de atitudes, leu muito e informou-se sobre o movimento de emancipação da mulher. Além de publicar mais de uma dezena de livros, foi capaz de destacar-se nos meios culturais e de ocupar um razoável espaço na imprensa. Vale inserir seu nome no rol de mulheres escritoras que tiveram influência marcante em seus meios mas que, devido ao tempo e aos preconceitos literários, não têm um lugar na literatura, permanecendo uma espécie de limbo literário. No dia 22 de agosto de 1926 veio a falecer.





A cidade Amelia Rodrigues

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Seu território pertencia à sesmaria dos irmãos Luiz Vaz e Manoel Nunes Paiva, doada em 1609 pelo Governador do Brasil, Dom Diogo de Menezes. Transferida por testamento ao Mosteiro de São Bento da Cidade do Salvador, em 1622, nela os beneditinos construíram o engenho ″São Bento de Inhatá″, primeiro ponto povoado da região.Em 1702, no local da sede municipal, mais tarde denominado Marucá, edificou-se a capela de Nossa Senhora da Lapa, formando-se o povoado "Lapa", que teve seu desenvolvimento em função da cultura da cana-de-açúcar.

O arraial passou à sede de distrito em 1936, integrando o Município de Santo Amaro. Em 1944, teve seu nome mudado para Traripe, e em 1961 para Amélia Rodrigues, em homenagem à educadora e poetisa ali nascida.


O arraial da Lapa se formou como entreposto comercial, parada obrigatória dos tropeiros da Casa da Ponte (como ficou conhecido o morgado dos Guedes de Brito) que conduziam as boiadas, supriam os engenhos de cereais e transportavam o açucar para o sertão. Pela Lei Estadual nº 146, de 1º de dezembro de 1936, o arraial da Lapa alcançou mais um grau na escala do desenvolvimento, sendo elevado à categoria de distrito. O Decreto Estadual nº 12.978, de 1º de junho de 1944, mudou sua denominação para Traripe, numa alusão ao rio que corta as terras da antiga Vila da Lapa. E numa homenagem à educadora Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues, o município foi desmembrado de Santo Amaro da Purificação, em 20 de outubro de 1961, pela Lei Estadual nº 1.533, com o nome de Amélia Rodrigues.

Santo Amaro da Purificação e sua importância histórica

http://www.bahia.ws/guia-turismo-viagem-santo-amaro-da-purificacao-bahia/
Em 1557, nasceu e cresceu à margem do Rio Traripe, nas proximidades do mar, a povoação de Santo Amaro. Aí viveram os colonizadores, por vários anos, construindo suas habitações, seus estabelecimentos, sua capela e tirando do rio e do mar peixes e crustáceos para sua subsistência.

Antes de firmarem o seu domínio na região, tiveram os colonizadores lusos de travar sucessivas e renhidas guerrilhas com os primitivos habitantes das margens dos rios Sergi-Mirim e Subaé- os tupinambá- que, no entanto, vieram mais tarde prestar inestimáveis serviços aos colonos.

A cidade de Santo Amaro - ou Santo Amaro da Purificação – está localizada na região do Recôncavo Baiano, cercada por grandes belezas naturais. Imponentes edificações antigas estão preservadas.  São 75 prédios de valor histórico e arquitetônico distribuídos por 27 ruas no centro histórico, situado entre as praças da Purificação e do Rosário. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação (atual Igreja Matriz de Santo Amaro) foi tombada pelo 1941, data dos primeiros tombamentos realizados no município.
   
Os primeiros colonizadores portugueses chegaram à região por volta de 1557, entre eles o major João Ferreira de Araújo e membros da família Dias Adorno. Anos mais tarde, os jesuítas do Colégio de Santo Antão de Lisboa se fixaram à margem do rio Traripe e fundaram uma capela, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. Ao redor da capela e nas terras vizinhas cresceu o povoado.
No século XVII, intensificou-se a colonização, com a criação de sesmarias (lotes de terra que a Coroa Portuguesa cedia a um sesmeiro/agricultor). A região se transformou em uma grande produtora de cana-de-açúcar, fumo e mandioca, com o surgimento de engenhos e casas de farinha.No princípio do século XVIII, o Marquês de Angeja (D. Pedro António de Noronha de Albuquerque), em visita ao Recôncavo Baiano, planejou a fundação da vila, que começou a ser construída em 1727, na confluência dos rios Serjimirim e Subaé. Neste mesmo ano, elevada à categoria de vila, recebeu o nome de Nossa Senhora da Purificação e Santo Amaro.
A economia do município esteve vinculada – entre o século século XVI e primeiras décadas do século XX - à cultura da cana-de-açúcar: em 1757 existiam 61 engenhos funcionando na região. No século XIX, duas vias terrestres que interligavam o Brasil: do Maranhão (atravessando os sertões) e de Minas Gerais tinham a cidade como entroncamento, e possibilitou que funcionasse como um importante entreposto comercial e principal porto açucareiro do Recôncavo.

Além a importância econômica, oriunda dos engenhos de cana-de-açúcar, a população local e seus governantes participaram ativamente da vida política do país como a Revolução dos Alfaiates e Sabinada, a Guerra do Paraguai e da Independência do Brasil, em 1822, organizando batalhões, fornecendo soldados e suprimentos. Em 1837, a vila foi elevada à categoria de cidade com o nome Leal Cidade de Santo Amaro.



A navegação a vapor regular, entre Santo Amaro e Salvador, começou a ser feita em 1847. O aumento das viagens e do fluxo de visitantes trouxe, também, uma epidemia de cólera que dizimou mais de metade de sua população, em 1855. No século XX, novas culturas, como dendê, cacau e bambu foram implantadas. Houve a instalação de indústrias metalúrgicas, açucareiras, papeleiras e de óleos vegetais, entretanto essas atividades industrias não se consolidaram. Atualmente, uma das principais atividades econômicas do município é o turismo.

Salvador e sua importância para o mundo

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A região que abriga a Cidade do Salvador da Bahia era habitada pelos tupinambás, no século 15.
Em 1501, os portugueses instalaram seu padrão de posse no dia de Todos os Santos e batizaram, com esse nome, a grande baía em volta.
Em torno de 1510, Caramuru, sobrevivente de um naufrágio, uniu-se aos índios em um povoado que viria a ser um porto estratégico para os navios de passagem, franceses e portugueses.
Em 1534, a capitania da Bahia de Todos os Santos foi doada a Pereira Coutinho, que se estabeleceu em um povoado que incluía a Ponta do Padrão, atual Barra. 
Em 1548, após a morte de Pereira Coutinho, Dom João III, rei de Portugal, nomeou Thomé de Souza Governador do Brasil e o incumbiu colonização efetiva da América Lusitana. Thomé de Souza desembarcou no Porto da Barra, em 29 de março de 1549, e construiu a Cidade do Salvador, de acordo com o projeto de Luís Dias, para ser a Cabeça do Brasil.

Salvador tornou-se um porto de apoio às navegações para o Oriente e também porto exportador de açúcar, já que a cana-de-açúcar era cultivada no Recôncavo Baiano e na Zona da Mata do Nordeste. A exploração do ouro e das pedras preciosas, a partir do século XVIII, e a necessidade de escoamento e fiscalização da extração, levaram à transferência da capital para o Rio de Janeiro, em 1763.


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Carreira da Índia foi o nome dado ao sistema de frotas responsável pelas navegações anuais que tiveram lugar entre Portugal e a Ásia pela Rota do Cabo durante o século XVI, XVII e XVIII.   Após a famosa viagem de exploração de Vasco da Gama em 1497-1499, os portugueses deram rapidamente início a uma ligação marítima regular com a Índia. 

A função da cidade do Salvador como importante praça portuária data desde os tempos coloniais, sendo comumente denominada, por décadas, como “a cidade porto”, “cidade voltada para o mar” e “importante porto exportador/importador”. Tal era a sua importância que, durante todo o período colonial até a metade do Segundo Império, o porto de Salvador era considerado como o principal ponto de distribuição de todo o Atlântico Sul. Essa atribuição denotava toda importância que o porto e a cidade desempenharam no desenvolvimento da economia e da sociedade local ao longo da história. Além disto, um fato inegável era que o mesmo seria o principal responsável pela integração da região no âmbito das atividades mercantis e industriais do sistema capitalista mundial. 

As condições geográficas favoráveis que as embarcações encontravam ao atracarem na Baía de Todos os Santos possibilitaram à administração portuguesa instalar, em 1571, um importante Arsenal da Marinha. Esse fato contribuiu para que a cidade se tornasse um importante ponto de reparo e construção de embarcações. Logo, essas atividades proporcionaram à coroa portuguesa bons lucros, o qual colocaria o porto-cidade como ponto de escala estratégica para o abastecimento e conserto das embarcações portuguesas/estrangeiras e, em consequência, o destaque do porto na circulação comercial no âmbito geral da economia agroexportadora brasileira.

A dupla funcionalidade (porto de escala para reparos e de circulação comercial) que o ancoradouro acessível com correntes oceânicas favoráveis (porto natural) possuía, associado à proximidade com a Europa e com os entrepostos comerciais da África Ocidental portuguesa, tornara-o estratégico para o desenvolvimento do intenso comércio entre os três continentes. Acerca desse intenso intercâmbio observa-se que, durante os séculos XVI, XVII e XVIII, 253 navios da Carreira da Índia, que recobriam o extenso percurso Portugal – Salvador – Portugal e o continente africano – Salvador, escalaram em Salvador. Destes, 78% atracaram no intuito de receberem socorro e/ou por motivos de estadia, enquanto 22% por razões comercias. Muitos outros navios de origem estrangeira atracaram por aqui, alegando a necessidade de abastecimento e avarias, todavia, eram atraídos pela possibilidade de rápido enriquecimento por meio do comércio ilegal estimulado pelo contrabando de ouro e outras riquezas nacionais (ROSADO, 1983).