Imagem retirada do livro Caminho sem fim:
memórias e alumbramentos1
Em uma
agradável tarde de sábado tive o prazer de conversar com alguns familiares e
principalmente com a protagonista desta história. Ela carinhosamente recebeu o
nome de Anita, a minha graciosa avó materna. Anita Barbosa nasceu em 19 de
abril de 1935, filha de Lúcio Aleixo dos Santos que exercia a
profissão de carreiro de boi (no carro de boi o meu bisavô fazia o transporte de
pessoas, cana de açúcar e várias outras coisas daquela época) e Maria do Carmo Barbosa
agricultora e do lar. Nasceu num povoado chamado surucucu nas proximidades do
engenho São Bento, este encerrou as suas atividades no ano de 1954.
Caro leitor, seja bem
vindo ao passeio pelas terras do Inhatá!
1.
Vó o que a senhora lembra do engenho São
Bento?
"Ah,
era uma indústria muito grande, tinha máquinas e muita gente trabalhando lá. A
igreja era lá em baixo na usina, tinha chalé, tinha muitas coisas.
Você
sabe que eu conheci São bento quando só tinha casa de telha na praça? Tudo era
de palha e taipa (neste momento mostrei a foto que coloquei aqui neste tópico)."
2.
E as festas como eram?
"Eram
festas muito boas, tinha micareta, bumba boi, mula manca e os instrumentos eram
de sopro.
(Houve
um momento de muita descontração, pois, ao falar das festas meu avô Crispiniano
Mota, 91 anos falava das peripécias e namoros juvenis da época)."
3.
Qual era a religião que a senhora
praticava quando era criança/jovem?
"Tinha
bastante candomblé, mas, eu não frequentava não. Depois apareceram os
protestantes e o povo não gostava muito deles não. Eu participava das rezas,
tinha todos os dias nas casas, era novena, trezena. Eu nasci nesse tempo."
4. Vó eu li num livro2que os
negros cantavam em uma língua africana enquanto trabalhavam. A senhora já ouviu
falar ou lembra desse fato?
"Sim
lembro, em uma distancia muito grande a gente escutava, era língua de escravo
(Iorubá). Era uma cantoria só, era cavando cova e cantando. Um dia desses eu
estava colocando o feijão no fogo e lembrei disso."
5.
E sobre salvador o que ouvia falar?
"Nem
tinha nome de Salvador, era Bahia. Mas, Bahia é por aqui tudo, salvador é a
capital. Quando eu era menina aqui não era Bahia, Bahia era lá na cidade."
6.
O que a senhora sabe sobre Santo amaro?
"O
único lugar que era cidade aqui era santo Amaro, tudo aqui era dominado por lá "(mostrei
foto do primeiro prefeito de Amélia Rodrigues após sua emancipação em 1961-
Gervásio Bacelar).
"Lembro
da época da cólera e da gripe, ninguém ficava vivo, os velhos morreram todos. Foi
Deus quem mandou um jeito de ter médico, vacinas e remédios, hoje que o tempo
tá bom."
7.
Sobre as boiadas que passavam na BR 324(antiga
estrada das boiadas), já ouviu falar?
"Passava
gado do mundo todo, na estrada tinha tanta boiada que ninguém saia de casa, era
na Br e na estrada onde a gente morava, era a mesma coisa de carro hoje, assim
era de boi."
Neste
momento meu avô materno, Crispiniano Mota 91 anos de pura lucidez, complementa
a resposta da minha avó dizendo:
“Passava
gado do mundo todo, De primeiro antes de ir para o matadouro em Mata de são
João passava a pé 5 boiadas por dia, agora passa no carro. Isso tudo era antes
de Amélia chamar Amélia Rodrigues, chamava lapa.”
Encerrei
a entrevista falando da importância deste trabalho que foi orientado pelo professor
Alfredo da Matta em atendimento ao componente curricular Referenciais
Teorico-Metodológicos da História no Ensino Fundamental.
“Às
vezes passamos a vida toda sem conhecer a nossa história, sem valorizá-la. Alimentamos-nos
das histórias dos outros. Pensamos que não temos importância. Todo mundo tem
história, lindas histórias”.
Anita Barbosa 81 anos e Crispiniano Mota 91 anos tiveram alguns filhos, restaram-lhe 11, 24 netos, 6 bisnetos (chegarão mais). Vivem desde o nascimento na região de São Bento do Inhatá. Agradeço a Deus pela vida deles e aproveito para agradecer pela família que construiram. Obrigada por terem me ajudado a conhecer um pouco da nossa história.
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Muito interessante!
ResponderExcluirAcho muito importante escutar a voz da sabedoria dos mais velhos, eles sim sabem muito sobre a história do nosso Brasil, muitos tiveram vivência e puderam conhecer de gente fatos e acontecimentos históricos que nem sempre é retratado nos livros. Como foi prazeroso e interessante ler essa entrevista que expõe claramente o conhecimento de dona Anita sobre o seu município, espero que a fundadora do blog (Fernanda) não deixe que essa preciosa histórias se perca, mais que seja alimente ainda mais nesse blog que promete nos encher de conhecimentos a cerca de nossos municípios que são esquecidos e muitas vezes desconhecido por muitos. By: Elaine costa Anchieta ����������������������
ResponderExcluirMuito obrigada Elaine pela sua valiosa contribuição neste trabalho. Nem todos valorizam ou dão ouvidos ao que os mais antigos tem a dizer. Meus avós ficaram bastante entusiasmados ao contar as suas histórias.
ExcluirExelentes relatos! Apesar se ter vivido toda a minha infância em São Bento não conhecia essa linda estória desse Distrito DO município de Amelia Rodrigues. É muito importante passar para os mais jovens desse lugar o conhecimento das suas raízes.
ExcluirHistória*
ExcluirQue bom que você gostou Luciana. Ao produzir este trabalho o que mais me animava era a possibilidade de contar para os meus sobrinhos o que eu ouvi e aprendi com os meus avós.
ExcluirNossa nunca iria saber dessas coisa,saber do passado da nossa família é muito importante ,com seteza irei relembrar tudo isso quando tiver mais velho e contarei aos meus filhos as historias do tataravós deles.Muito obrigado por mi proporciona isso tia!!!
ResponderExcluirEu é que agradeço pela sua participação Maique, saiba que este trabalho além de ter sido feito para cumprir algumas exigências acadêmicas, também me serviu como uma importante oportunidade para conhecer a nossa história e poder perpetuá-la a partir das memórias dos meus avós e seus bisavós.
Excluirolha Maique quanto ao você se lembrar quando estiver velho não precisa esperar tanto, tem muitos livros que falam da nossa história, a história do recôncavo. É muito bom poder viajar dentro da nossa história, quando fazemos isto passamos a valorizá-la e amá-la.
ExcluirÉ muito rico ter pessoas na localidade com lucidez pra nos contar um pouco da historia, fico a imaginar os carros de boi conduzindo as pessoas de um lado para outro, nunca imaginei que meus antepassados faziam esse tipo de transporte, dona Anita e seu Crispim são vitoriosos em ter vivido em tempos tão difíceis e estarem aí firmes e fortes nos contando um pouco dessa história. Parabéns.
ResponderExcluirObrigada por sua participação Raquel. Infelizmente vivemos um tempo em que os mais experientes não são valorizados. Olha quanto eles sabem da vida, foi muito interessante poder notar que o que eu pesquisei nos livros e internet eles sabem, viveram e com imensa sabedoria pode nos contar. Que Deus continue segurando dona Anita e seu Crispiniano conosco, pois, temos muito a aprender com eles.
ExcluirÉ muito rico ter pessoas na localidade com lucidez pra nos contar um pouco da historia, fico a imaginar os carros de boi conduzindo as pessoas de um lado para outro, nunca imaginei que meus antepassados faziam esse tipo de transporte, dona Anita e seu Crispim são vitoriosos em ter vivido em tempos tão difíceis e estarem aí firmes e fortes nos contando um pouco dessa história. Parabéns.
ResponderExcluirfico lisonjeada em ter o privilegio de conhecer essa família com uma historia de vida tão diferente e tão interessante assim só adquiro mais conhecimento
ResponderExcluirQue bom Sheila que você gostou, realmente as famílias do recôncavo são iluminadas por fazerem parte de histórias belíssimas.
ResponderExcluirParabéns Fernanda Pinheiro, amei conhecer a história da sua querida avó, entrevista encantadora, ao ler parece que estou ao lado de sua avó ouvindo ela narrar as histórias daquela época. Falando do Distríto de Inhatá, ja amei o nome logo de cara, ler e descobrir seu significado índigena foi fantástico quero conhecer! Amei tudoooo.
ResponderExcluirObrigada Deise, até no nome Inhatá é bonito. Pretendo continuar, breve teremos novas histórias.
ExcluirObrigada Deise, até no nome Inhatá é bonito. Pretendo continuar, breve teremos novas histórias.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirParabéns pelo lindo blog Nanda, sei que esse trabalho foi muito significativo pra você!!Ouvir história dos avós é sempre muito bom, principalmente sobre acontecimentos dos quais eles vivenciaram!!
ResponderExcluirObrigada Alexsandra. Realmente foi muito gratificante fazer este trabalho, pois, do que adianta você conhecer as histórias dos outros sem conhecer as suas?
ExcluirTive a oportunidade de ver a apresentação do blog e agora com mais atenção de conhecer Inhatá através do olhar da sua avó. Para mim que não conheci minha vó tem um ar mais emocionante ter acesso a relatos da vida das avós dos meus colegas. É FASCINANTE! Parabéns.
ResponderExcluirQue bom que gostou Tamyres Almeida. Os avós de fato são uma inesgotável fonte de ricas histórias, poderia dizer que são testemunhas oculares das histórias contadas nos livros.
ResponderExcluirMuito legal, Nanda!
ResponderExcluirAmei conhecer um pouco de Inhatá por vó Anita! Deus continue dando muita vida e saúde a ela, a seu Crispiniano e a toda sua família!
Que bom ter você aqui me gratificando com o seu comentário. Com certeza meus avós tem bastante história para contar. Tente conhecer seu bairro através dos relatos de dona Irene e seu Pedro, vai sair cada história mais linda que a outra. Bjocas
ResponderExcluirQue bom ter você aqui me gratificando com o seu comentário. Com certeza meus avós tem bastante história para contar. Tente conhecer seu bairro através dos relatos de dona Irene e seu Pedro, vai sair cada história mais linda que a outra. Bjocas
ResponderExcluirMinha mãe tem o apelido de Anita, dado pelo meu avô, isto remete asG minhas lembranças. É GRATIFICANTE ler outras histórias com conteúdo , você é protagonista da História, parabéns Nanda!!
ResponderExcluirMuito lindo o significado, que bom que gostou e pode lhe remeter ao apelido de sua mamãe.
ExcluirAlfredo Rodrigues da Matta, bendito seja entre os professores de História. Nos fazer viajar no tempo desta forma , foi o semestre que mais tivemos aproveitamentos no tocante fazer parte do momento do aprendizado. É como nos fazermos protagonista de nossa própria história. Os teóricos fomos nós. Parabéns pelo trabalho Fer.
ResponderExcluirRealmente Gil esse trabalho ficará para sempre gravado em mim. Saber da minha história é mais do que bom.
ExcluirUm trabalho fantástico, sua avó é sem dúvidas uma pessoa muito especial, que nos deu a oportunidade de conhecer suas recordações e sua história. Conseguimos observar a relação direita dos conteúdos que estudamos nos livros com as experiências vividas por sua avó!
ResponderExcluirRealmente Rafaela nossos avós são com certeza sinônimo de belas histórias.
ExcluirAdorei conhecer a história da sua terra, Fernanda!
ResponderExcluirEsse registro é de grande valia,não só para a sua família,mas para todos que desejam conhecer a história desse lugar.
Parabéns pelo trabalho deleitável!
Obrigada Iara, que bom que você gostou do trabalho. Foi muito gratificante mergulhar pela história da Bahia, em especial Inhatá a minha terra querida.
ResponderExcluirFernanda Pinheiro. Fundamental o resgate e revistro das memórias de seus avós. Fui aluno do professor Alfredo Eurico Mata na UCSAL. São Bento de Inhatá,no passado, um dos locais que aflorou a economia da Bahia, por meio de seus engenhos e depois usinas. Pesquiso sobre minha terra natal e temos de valorizar e resgatar a oralidade para as futuras gerações. Conheci o prof. Juvenal e fui agraciado por ele com um exempmar do livro"Caminhos sem fim", era um tipo de tio-avó, pois uma tia minha era sobrinha dele.Abraços.
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